Até pouco tempo, as marcas aprenderam a falar com pessoas. Com consumidores reais, com jornadas mapeadas, com personas construídas a partir de comportamento e dados. Esse trabalho continua sendo essencial. Mas algo novo está acontecendo no meio dessa conversa.
Uma camada intermediária entrou em cena: a inteligência artificial. E ela não está só ajudando o consumidor a pesquisar. Em muitos casos, ela está filtrando, resumindo e recomendando, antes mesmo que o consumidor chegue até a marca.
É nesse contexto que surge o conceito de B2I, Business to Intelligence. A ideia de que as marcas precisam se posicionar não apenas para pessoas, mas para os sistemas de IA que cada vez mais participam do processo de decisão de compra.
O que é B2I na prática
Quando alguém pergunta para o ChatGPT qual é a melhor agência de marketing para uma empresa de médio porte ou pede para o Google Gemini recomendar fornecedores de um determinado segmento, a IA não abre um buscador e lista links. Ela processa informações que já tem, cruza com o que encontra em tempo real e entrega uma resposta curada.
Nesse momento, a marca ou está presente nessa resposta ou não existe para aquele consumidor.
Segundo o relatório State of the Connected Customer da Salesforce de 2025, 25% dos consumidores já usam IA para filtrar opções de compra. E esse número cresce na mesma velocidade em que as ferramentas de IA se tornam mais acessíveis e integradas ao dia a dia.
O B2I não substitui o marketing tradicional. Ele adiciona uma nova camada de presença que ainda poucos estão construindo.
O que muda para as marcas
A primeira mudança é de mentalidade. Durante anos, a pergunta central do marketing digital foi: como aparecer para o consumidor certo no momento certo? Agora essa pergunta ganha uma dimensão nova: como fazer com que a IA entenda, confie e recomende a minha marca?
Isso tem implicações práticas em pelo menos três frentes.
Autoridade de conteúdo
Os sistemas de IA aprendem com o que está publicado, indexado e referenciado na web. Marcas com conteúdo consistente, aprofundado e bem estruturado têm mais chance de ser compreendidas e citadas por esses sistemas. Conteúdo raso ou inconsistente simplesmente não alimenta essa camada de presença.
Reputação digital
A IA cruza avaliações, menções, referências editoriais e presença em fontes confiáveis. Uma marca com reputação sólida em múltiplos ambientes digitais tem mais chance de aparecer como recomendação do que uma marca com presença pontual e dispersa.
Consistência de posicionamento
Quando uma IA encontra mensagens contraditórias sobre uma marca em diferentes canais, ela tem dificuldade de construir uma síntese clara. Posicionamento consistente não é apenas uma questão de branding. É um critério de legibilidade para sistemas de inteligência artificial.
Por que isso importa agora

O comportamento já está mudando antes que as marcas percebam. De acordo com a pesquisa Life Trends 2026 da Accenture, 64% dos consumidores esperam experiências personalizadas, e uma parte crescente dessas experiências é mediada por sistemas de IA que fazem a triagem antes do contato humano.
A janela para construir presença nessa nova camada ainda está aberta. As marcas que entenderem agora como os sistemas de IA interpretam e recomendam terão vantagem sobre quem chegar depois.
B2I: uma nova camada de presença que já está em construção
Falar com o consumidor continua sendo o centro do marketing. Mas garantir que a IA que fala com esse consumidor também conheça e confie na sua marca é o próximo passo estratégico.
Na Unius, esse é um dos eixos que já faz parte do trabalho de consultoria com nossos clientes: entender como a marca está sendo lida por esses sistemas e construir uma presença que faça sentido para essa nova realidade.
Acompanhe os próximos artigos e fique por dentro das tendências que estão moldando o marketing agora.