Mais de 10 logos, mais de um século de história e uma lição importante sobre branding: como uma marca pode evoluir sem deixar de ser reconhecida.
Se você pensa no logo da Pepsi, provavelmente visualiza imediatamente o famoso círculo vermelho, branco e azul. Mas será que conseguiria reconhecer todas as versões que a marca já teve?
Ao longo de mais de 125 anos de história, a Pepsi passou por diversas transformações em sua identidade visual. Algumas foram mudanças sutis. Outras alteraram completamente a estética da marca.
E essa evolução diz muito mais do que apenas sobre design.
A história do logo da Pepsi mostra como branding, posicionamento, comportamento do consumidor, cultura e tecnologia estão diretamente relacionados à maneira como uma marca se apresenta ao mundo.

A evolução do logo da Pepsi
A Pepsi nasceu no final do século XIX, ainda como Brad’s Drink, e sua identidade visual estava muito distante do símbolo que conhecemos atualmente.
Com o passar das décadas, a marca foi modificando sua tipografia, suas cores e seus elementos gráficos até chegar ao famoso “Pepsi Globe”, o círculo vermelho, branco e azul que se tornou um dos principais ativos visuais da empresa.
1898: os primeiros anos
Nos primeiros anos, a identidade da Pepsi tinha uma estética bastante diferente da atual. A marca utilizava uma tipografia mais ornamentada, característica do período.
Ainda não existia o símbolo que viria a se tornar sinônimo da Pepsi.
Décadas de 1940 e 1950: nasce um símbolo reconhecível
Foi durante a década de 1940 que o vermelho, o branco e o azul passaram a ganhar protagonismo na identidade da Pepsi.
O contexto histórico também teve influência. As cores passaram a dialogar com o sentimento patriótico dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, e a marca começou a utilizar a combinação em suas tampas de garrafa.
A partir daí, o círculo começou a ganhar espaço e se transformar em um elemento cada vez mais importante da identidade da empresa.
Décadas de 1960 e 1970: simplificação
Com o avanço do design moderno, a identidade da Pepsi também passou por mudanças.
A marca deixou de depender tanto de elementos ornamentados e passou a trabalhar com uma linguagem visual mais simples e objetiva.
O famoso globo continuava presente, mas começava a assumir uma função ainda mais importante: ser reconhecido mesmo sem a necessidade do nome Pepsi escrito por extenso.
Décadas de 1980 e 1990: uma marca mais dinâmica
Nas décadas seguintes, a Pepsi passou a experimentar novas formas de representar seu símbolo.
Gradientes, efeitos tridimensionais e diferentes tratamentos gráficos acompanharam as tendências de design de cada período.
Era uma época em que marcas buscavam transmitir velocidade, tecnologia e modernidade, e a Pepsi incorporou essas características à sua identidade.
2008: uma grande transformação
Em 2008, a Pepsi apresentou uma nova versão de seu logo.
O tradicional globo ganhou uma nova interpretação, com formas mais orgânicas e uma estética mais minimalista. A tipografia também foi modificada.
Foi uma mudança significativa para uma marca que já possuía um símbolo extremamente reconhecido.
2023: passado e futuro no mesmo logo
Em 2023, a Pepsi apresentou mais uma transformação.
Dessa vez, a estratégia foi interessante justamente por não tentar apagar o passado. A nova identidade recuperou elementos históricos da marca, como o globo e a combinação de vermelho, branco e azul, mas os apresentou com uma linguagem contemporânea.
O resultado mostra uma tendência importante no branding atual: resgatar ativos históricos pode ser tão estratégico quanto criar algo completamente novo.
Por que uma marca muda seu logo?
A evolução da Pepsi levanta uma pergunta importante: se uma identidade já é reconhecida, por que mudá-la?
Não existe uma única resposta.
Uma marca pode precisar atualizar sua identidade quando passa por uma mudança de posicionamento, quando quer se conectar com um novo público ou quando o mercado e os hábitos dos consumidores se transformam.
A própria tecnologia também influencia.
Uma identidade visual criada décadas atrás precisava funcionar principalmente em embalagens, anúncios impressos, outdoors e televisão. Hoje, ela precisa funcionar em um aplicativo, em uma foto de perfil, em uma tela de celular, em um site e em diferentes formatos digitais.
Isso muda as necessidades de uma marca.
Mas existe um ponto fundamental: modernizar não significa necessariamente abandonar tudo o que veio antes.
Mudar o logo é fazer rebranding?
Não necessariamente.
Essa é uma distinção importante.
O logo é apenas um dos elementos que compõem a identidade visual de uma marca. O branding envolve uma construção muito mais ampla: posicionamento, propósito, personalidade, linguagem, identidade visual, experiência e a percepção que o público constrói sobre aquela empresa.
Por isso, trocar o logo sem entender o que a marca precisa comunicar pode resultar apenas em uma mudança estética.
Um rebranding estratégico parte de uma pergunta mais profunda:
“Como queremos que essa marca seja percebida daqui para frente?”
A identidade visual vem para traduzir essa estratégia.
O que a evolução da Pepsi ensina sobre branding?
A história da Pepsi traz alguns aprendizados importantes para empresas de qualquer tamanho.
1. Branding não é apenas um logo
Um logo pode ser o elemento mais reconhecível de uma marca, mas ele não existe sozinho.
Cores, tipografia, imagens, linguagem, embalagens, produtos, atendimento e experiência também contribuem para construir uma identidade.
2. Marcas precisam evoluir
O mercado muda. Os consumidores mudam. As tecnologias mudam.
Uma identidade que funcionava perfeitamente há 30 anos pode não responder às necessidades atuais da empresa.
Evoluir faz parte da construção de uma marca relevante.
3. Evoluir não significa começar do zero
A trajetória da Pepsi mostra que é possível atualizar uma identidade sem abandonar completamente seus principais ativos.
O vermelho, o branco, o azul e o globo continuam fazendo parte da memória visual da marca, mesmo depois de tantas transformações.
4. Reconhecimento também é patrimônio
Quando consumidores associam determinadas formas, cores ou símbolos a uma empresa, esses elementos passam a ter valor.
Por isso, uma mudança de identidade precisa considerar não apenas o que parece moderno, mas também o que já possui significado para o público.
5. Rebranding precisa de estratégia
Antes de perguntar “qual logo está mais bonito?”, uma empresa deveria perguntar:
“O que precisamos comunicar?”
A estética é consequência da estratégia, e não o contrário.
Afinal, por que a Pepsi continua sendo reconhecida?
Essa talvez seja a parte mais interessante da história.
A Pepsi mudou seu logo diversas vezes. Mudou tipografias, formas, proporções, efeitos e estilos.
Mas alguns elementos permaneceram ao longo do tempo e ajudaram a construir uma espécie de continuidade visual.
É justamente aí que está uma das grandes forças do branding:
evoluir sem deixar de ser reconhecível.
A história da Pepsi mostra que uma marca não precisa permanecer visualmente igual para preservar sua identidade.
Ela precisa entender quais elementos fazem parte da sua essência e quais podem evoluir junto com o mercado.
No fim, um bom branding não busca apenas uma identidade bonita ou moderna.
Busca construir uma marca relevante, coerente e reconhecível.
E talvez essa seja a grande lição por trás de todos os logos da Pepsi: a identidade pode mudar. A estratégia é o que precisa permanecer.
Carla Castilho